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Por que larguei uma carreira executiva bem-sucedida para me tornar coach

12 May 2015

 

Trabalhando em grandes - enormes - corporações como advogada e, também, como líder de grandes e pequenas equipes, passei boa parte da minha vida profissional buscando o verdadeiro sentido e propósito para o meu trabalho.

 

Eu sempre sonhei em ser advogada. Ou ao menos desde que desisti de ser paquita #quemnunca por volta dos seis ou sete anos. Nunca entendi direito pessoas que não sabiam que curso fazer e menos ainda conseguia ver lógica em quem fazia vestibular para Medicina E Direito. "Oi? Como assim? Uma coisa não tem NADA ver com a outra... como você pode ter afinidade com as duas coisas? Aposto que não vai ser bom nem em uma nem em outra", pensava eu, enquanto focava no meu objetivo maior rumo ao meu grande sonho.

 

Eu, que não podia perder tempo nessa corrida pelo sucesso estava focada em cada um dos passos que me levariam ao meu futuro brilhante como advogada de destaque nacional e quiçá internacional. Primeiro passo: passar no vestibular. Ok! Do alto dos meus 17 anos eu acreditava que seria alguém muito importante e que, como advogada, estaria diretamente engajada na luta por um País e um mundo mais justos. Queria fazer a diferença! Queria deixar um legado! Pensava em trabalhar na ONU, no Itamaraty ou atuar em grandes causas de relevância social! Minha fantasia foi logo estraçalhada ao constatar que todos que se engajavam nessa luta ou eram muito desapegados de bens materiais ou tinham pais que os sustentassem enquanto se preparavam (indo estudar fora, falando vários idiomas, fazendo voluntariado, etc. etc.) para essa árdua trajetória. Eu não era nem uma coisa e muito menos a outra.

 

Fui então procurar algo que minimamente me sustentasse dentro do que era a profissão que eu havia escolhido desde tão cedo. Segundo passo: estágio. E aí dificultou mais ainda. Passei por alguns escritórios e pela Justiça Federal e NADA do que pareciam ser as atividades de um advogado ou de juízes me apetecia. Achava tudo chato, mecânico e, confesso, um pouco deprimente. Cheguei a ter uns meses de crise pois não conseguia sequer cogitar que o meu grande sonho poderia ser uma farsa ou, ainda pior, que eu havia perdido tempo até ali e que se quisesse recomeçar sairia em desvantagem rumo ao tal do sucesso. Essa crise esvaneceu tão logo encontrei o que por muito tempo veio a ser para mim o emprego dos meus sonhos. O estágio em uma gigante americana lidando diariamente com pessoas inteligentes, bem-sucedidas, decididas e que pareciam estar todas prestes a dominar o mundo me fez ter a certeza de que ser diretora global do departamento jurídico de uma multinacional era mesmo tudo o que eu sempre sonhei. Os anos foram passando e o trabalho aumentando e com ele o aprendizado, as experiências, novas amizades, novos países e novas formas de ver o mundo me foram apresentadas. Novo emprego, oportunidade de gestão e tudo parecia ir exatamente como eu havia planejado. Ser diretora global não parecia mais ser o target final. Eu queria mais. Eu queria tudo! Queria gerir todo mundo! Queria tomar decisões e fazer a diferença... Queria ser CEO!

 

Tendo então um objetivo tão concorrido eu precisava trabalhar muito! E assim foi. Trabalhei muito! Trabalhei horas a fio... sem comer, sem sequer levantar para ir ao banheiro a não ser quando estivesse prestes a me urinar. Trabalhei madrugadas e madrugadas. Peguei aviões e mais aviões e quase sempre em voos que me obrigavam acordar às 5 da manhã pois "precisava otimizar o tempo". Foram mais de 200 aviões em dois anos e incontáveis horas de trabalho obstinado. E eu achava tudo lindo! Adorava dizer para todos que "estava correndo", "que estava entrando em uma reunião", "que não tinha tempo para fazer mais nada".

 

Não vou me esquecer nunca do dia em que alcancei o primeiro degrau: minha primeira reunião de diretoria como membro do corpo diretivo. Aos 28 anos e com uma equipe de 14 pessoas sob a minha gestão, essa seria a hora de colocar em prática o que eu havia aprendido, de fazer diferente de tantos que critiquei, de fazer a diferença na vida das pessoas e da empresa rumo ao segundo objetivo.

 

Eu não sei direito quando foi que minha ficha começou a cair... lembro apenas de estar muito muito muito cansada física e emocionalmente e de perguntar a mim mesma se era aquilo mesmo que eu tanto sonhava. As decisões não eram tão estratégicas assim, as pautas não eram necessariamente as da produtividade e eficiência mas sim políticas. As pessoas estavam muito mais preocupadas em tirar o delas da reta do que em trazer lucro sustentável. O Direito estava cada vez mais distante do meu dia a dia e 80% do meu tempo era gasto contendo ânimos e egos e tentando enlouquecidamente extrair resultados concretos no meio de um monte de interesses secundários de outros departamentos e pessoas. Eu olhava para cima e, embora eu adorasse meu chefe, não era a vida dele que eu desejava para mim. Os problemas da empresa anterior só pareciam ter mudado de nome e endereço. Eu dormia cada vez menos, comia cada vez pior e fumava cada vez mais. Meu casamento estava ótimo depois de uma crise com a minha mudança para São Paulo, mas a distância e a saudade estavam me matando e tudo aquilo parecia fazer cada vez menos sentido.

 

Assim, cheguei à conclusão após várias noites insones e muito Marlboro de companhia que o que realmente me motivava no dia a dia corporativo eram os momentos em que estava com a equipe. Quando podia ajudar alguém a alcançar uma meta, ou a desenvolverem-se rumo aos seus objetivos de maneira sustentável e motivadora. O que me deixava feliz era ser reconhecida como uma boa líder e não como uma boa advogada ou executiva.

 

Qual seria então o meu legado para a humanidade se eu continuasse nesse passo? O que eu estava fazendo para contribuir com uma sociedade mais justa e mais humana que era o meu sonho desde o início? E mais, como equilibrar todas as dimensões e papeis da minha vida em um plano físico, espiritual, social e mental que me trouxessem aderência entre a minha missão de vida, meus valores e minhas atividades profissionais?

 

Todas essas perguntas me levaram ao coaching sem grandes pretensões. Ao longo da formação consegui resgatar e organizar em palavras a minha missão de vida de maneira alinhada aos meus valores e às minhas crenças motivadoras.

 

Descobri que é fundamental para mim servir de instrumento para que as pessoas atinjam seus resultados e se sintam felizes durante o processo - que muitas vezes é tortuoso e de muito suor. Após muita reflexão e muito mergulho no meu Self 2 foi possível começar a traçar o futuro que eu quero para mim baseado em quem eu sou e não no que os outros (e eu mesma) esperam que eu seja.

 

Me livrei de muitas crenças limitadoras e de ciclos de auto sabotagem que me acompanharam a vida toda. Abracei meus pontos fortes e resolvi coloca-los a serviço da minha missão pessoal e hoje me sinto cada vez mais plena ao realizar o meu propósito de vida.

 

Tornar-me coach foi um processo natural que surgiu do desejo de repassar tudo que aprendi na formação a outras pessoas, especificamente mulheres, que, como eu, tenham passado ou estejam passando por todo tipo de dilema existencial.

 

De lá para cá mudei de emprego, voltei para Curitiba para perto da família, abri a Self Desenvolvimento Humano como canal para exercitar de forma estruturada minhas potencialidades e talentos, criei um blog e um grupo de leituras feministas. Me inscrevi em uma disciplina em Ciências Sociais sobre cultura e sociedade e estou me preparando para um Mestrado em uma área nova. Questionei e desconstruí meus preconceitos e minhas verdades absolutas. Conheci e comecei a explorar o mundo do Sagrado Feminino e estou reequilibrando minhas energias cada vez mais em busca da satisfação interna que tanto busquei e continuo almejando. Todo o resto veio junto: a satisfação pessoal, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. O prazer de curtir o tédio e as aventuras com o marido e o cachorro (também é fruto dessa nova faceta) e passei a valorizar muito mais as pequenas grandes coisas da vida. Fiz muitas novas amigas e reencontrei outras. Principalmente reencontrei a Tayná que sonhava em mudar o mundo e em fazer a diferença!

 

Não foram só flores, no meio do caminho tive e tenho medos, dúvidas e momentos de desespero. Tive crises de ego e frustração por não conseguir controlar o que não está sob meu controle (é incrível como no mundo corporativo as coisas são muito mais controláveis do que na vida real!).

 

Mas ver as minhas coachees realizadas, brilhando de dentro para fora e contagiando a todos ao redor delas me faz ter a certeza de que fiz a escolha certa! #gratidão

 

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