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Kalindi - De mim para o mundo com todo o amor do mundo

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Kalindi - De mim para o mundo com todo o amor do mundo

17 Dec 2018

 

 

Quanto você estaria disposta a investir no seu desenvolvimento pessoal e em aprender a usar o seu potencial em toda a sua plenitude, em busca da realização de seus sonhos e objetivos?

Quanto vale o trabalho de quem entrega inquietações e movimento?

Como você se sentiria se soubesse que existe uma forma de financiar seu autodesenvolvimento e o de outras mulheres de forma coletiva, sustentável e amorosa?

Quando comecei a trabalhar como coach eu estava aberta a atender qualquer pessoa que eu pudesse de alguma forma ajudar com as ferramentas que havia aprendido e o universo foi me direcionando de um modo que quando vi eu só atendia mulheres. 

A decisão de focar em pessoas físicas, mais do que em empresas, aconteceu em um processo parecido, embora mais complexo de descobertas internas. 

Eu trabalhei - e gostei muito - em alguns projetos como consultora, mas as amarras que se tem quando o cliente é corporativo me machucavam os pulsos, mesmo sendo largas para outras pessoas. 

Não é que eu não acredite na importância de ocupar esses espaços e eu sei que ele é ocupado em alguns casos por pessoas bem incríveis inclusive, é que a minha energia é outra. 

Meu sonho é de emancipação e libertação, mas principalmente de transformação do sistema. Não acredito em "humanizar" o capitalismo, mas em radicalizar a lógica de produção, do consumo, da consciência individual e coletiva. 

Eu acredito em mudança individual como mudança política, ao mesmo tempo em que só haverá verdadeira mudança se ela for, também política. 

Acredito e luto por uma mudança estrutural, ao mesmo tempo em que me coloco como instrumento de mudança individual daquelas ao meu redor. 

Acredito que direitos são conquistados, não dados, mas que protagonismo é essencial neste processo. 

Eu insisto bastante (porque é verdade) que meu trabalho não se baseia em fórmulas prontas e que ele leva e sempre levará em conta as questões estruturais em que estamos inseridas e que o grande segredo das ferramentas com as quais eu trabalho é ajudar a cliente a desenvolver protagonismo para fazer escolhas e bancá-las, conhecer-se e aceitar-se e, principalmente AMAR-SE em um mundo que nos ensina que destrói a nossa autoestima e nos ensina a nos odiarmos - a nós mesmas e as mulheres ao nosso redor. 

E um dos maiores desafios que encontro no meu dia a dia profissional é justamente o de trazer consciência desse poder de escolha, ao mesmo tempo em que denuncio a violência estrutural e sistêmica que permeia a nossa existência feminina! 

Especialmente em um contexto em que as pessoas buscam soluções fáceis, de preferência milagrosas de um lado, e gurus vendem discursos de empoderamento individual e meritocrático de outro, ao mesmo tempo em que uma parcela da militância e da academia se dedica a destrinchar problemas sem apresentar soluções que passem pelo sujeito e o livre arbítrio. 

Eu sei que eu impactei positivamente e ajudei a mudar a vida de muita gente e isso enche meu coração de gratidão todos os dias, ao mesmo tempo, percebo que na minha área (coaching e desenvolvimento pessoal e de carreira) existe um apelo enorme à força de vontade e um discurso meritocrático que ignora por completo as questões estruturais. 

E o fato é que por um bom tempo eu me senti espremida entre essas ambiguidades e contradições desse mercado e daquilo que eu estudo e acredito. 

Tem sido um processo bastante sofrido para mim equilibrar o desejo de ser um instrumento de transformação individual e política em um mercado que é pautado no discurso meritocrático (e muitas vezes culpabilizador), desconsiderando estruturas sociais de opressão, atender quem precisa e ter sustentabilidade neste negócio. 

Eu li e ouvi todos os experts da área que dizem que "o cliente tem que saber o seu valor", que "não tem para autoconhecimento, mas gasta com outras coisas", "ahhh não pode pagar o coaching, mas tem uma bolsa de X mil reais". Até mesmo esse tipo de discurso já demonstra o elitismo desse tipo de produto, porque a realidade das pessoas que me procuram e que precisam está mesmo escolhendo boletos para pagar, são mães que estão equilibrando mil pratos em uma sociedade que acha que a culpa de tudo o que elas estão sentindo é só delas mesmo. 

Por muito tempo pensei que eu estivesse sendo arrogante e presunçosa de achar que esses "deuses do marketing" estavam errados e eu certa, mas sim, a verdade é que a minoria das pessoas que precisa genuinamente do que eu tenho a oferecer e que compreende o valor do meu trabalho pode me pagar o quanto, pelo mercado, eu deveria cobrar. E sim, tem também quem não paga porque não entende o valor ou está se boicotando mesmo, mas essas nunca me deixaram com o coração apertado. 

Por outro lado, diminuir o valor do meu atendimento aumentando o volume não me agrada, pois tenho um limite de atendimentos que assegura qualidade do meu trabalho, principalmente considerando que grande parte dele envolve pesquisa, leituras, estudo de novas ferramentas. 

Criei o programa de coaching online em grupo justamente por conta de todas as minhas reflexões sobre valores, preço, consumo e entrega daquilo que eu acredito ser o meu maior talento, a serviço do meu principal valor motivador.

Tem sido lindo, mas a verdade é que para vender na internet eu precisaria fazer uso de ferramentas de marketing online que eu não consigo. Ou melhor, eu não quero!

Basta assistir 5 minutos de qualquer guia ou tutorial para "encher agenda", para "vender qualquer coisa para qualquer pessoa" para ver como esses mecanismos de isca funcionam. E isto viola absolutamente tudo que eu acredito!

Eu tentei, eu me esforcei, eu olhei por outro lado quando percebi que eu estava fazendo comigo o que eu mais desencorajo minhas clientes e amigas a fazerem: eu estava violentando a minha essência.

Eu realmente não quero “convencer” as pessoas a nada. Aliás eu descobri que tenho sérios problemas com o próprio conceito do marketing e a razão dele existir.

Eu quero que as pessoas saibam o que estou vendendo e o valor do meu trabalho e se aquilo fizer sentido e elas tiverem o recurso ótimo! Não quero e não vou usar truques ou recursos de manipulação até porque a transformação está também ligada ao quanto a decisão é tomada de forma consciente. Não adianta comprar no impulso quando se trata de algo que vai dar trabalho e exigir comprometimento.

Então você não vai me ver dizendo "que esta é a última chance da sua vida de ser uma pessoa de sucesso", "que custa 200, mas "excepcionalmente sairá por 10, mas só se for A G O R A" e nem que fadas morrerão de desgosto se você não aproveitar essa oportunidade incríveeeeel.

Ou seja, a minha grande ferramenta continua sendo a indicação boca a boca que funciona lindamente, mas 1) acaba sendo instável; 2) nem sempre quem recebe a indicação tem $$$; 3) eu sofro demais quando não posso ajudar quem precisa de mim, apenas porque não tem como me pagar e isso consome a minha energia.

Vieram as eleições, o medo do que está por vir e as inseguranças ao meu redor por conta do meu posicionamento político. Pensei em largar o coaching e voltar a advogar, nem que eu tivesse que começar como advogada júnior. Pensei em trabalhar de qualquer coisa que me pague o suficiente para bancar minhas contas, mas nem por um momento eu pensei em aderir a discursos e práticas que contrariem tudo aquilo que lutei muito para aprender e desconstruir. 

O processo para chegar até aqui não foi fácil, nem colorido e muito menos simples. Foi doloroso, foi na carne e na unha e eu não abro mão da mulher que me tornei por conta dele.  

Eu não quero e não vou me distanciar do meu feminismo e não irei fazer discurso conciliador e biscoiteiro que quer mexer na ferida pero no mucho. Que quer mudar, mas só o que convém e não pega tão mal. Que quer falar de salário e liderança mas não quer falar de violência doméstica, cultura do estupro, assédio, miséria, racismo, solidão da mulher negra e empregos precários e feminizados. Que quer falar de igualdade salarial com homens, mas paga um salário patético para a pessoa que cuida da sua casa enquanto você se empodera para dominar o mundo.

Como diria Germaine Greer: "Se igualdade significa o direito a uma parcela igual dos lucros da tirania econômica, ela é inconciliável com a liberação.”

Porque feminismo é sobre estruturas de poder e sobre como o sistema olha para a mulher e a coloca sistemicamente em lugares de subalternidade, seja do ponto de vista formal (leis), seja do ponto de vista material (práticas aceitas ou até encorajadas socialmente)!

Esse apelo à tomada dos lugares de poder pelas mulheres sem olhar para o sistema como um todo, repetindo a mesma fórmula que produz desigualdades em toda a sociedade é apenas mudar a roupa do problema.

Feminismo é sobre inclusão e emancipação. E que feminista eu estava sendo se só posso incluir e emancipar quem pode gastar uma pequena fortuna (se olharmos para o salário médio do brasileiro)? 

Isso estava verdadeiramente me fazendo mal e, consequentemente dificultando todo o meu trabalho. 

Eu sei que eu já ajudei muitas mulheres. De 2014 para cá foram mais de 70 clientes em programas individuais ou coletivos e todas elas me indicam para outras, muitas das quais não conseguem arcar com o investimento em um processo individual ou não são aplicáveis ao programa em grupo (que tem suas especificidades e não é pra qualquer caso!). 

Foi aí que me caiu a ficha de que este trabalho (o meu) precisa ser um trabalho coletivo de emancipação. Uma verdadeira roda da abundância que permita a todas as mulheres que quiserem ter acesso às ferramentas, com a ajuda de outras mulheres e, ao mesmo tempo, assegurando a minha própria sustentabilidade! 

Era ficar neste limbo entre a pressão para ganhar dinheiro, ter “sucesso” e a vontade de ajudar a todas, ao mesmo tempo em que eu luto com todas as armas ao meu alcance por uma sociedade mais justa, que estava me desgatando energeticamente. 

Como sempre, foi escrevendo que eu consegui organizar minhas próprias ideias. Foi falando pra outra pessoa o quanto era incrível o trabalho dela e que o sucesso deve ser um modelo construído sob medida para caberem nossos sonhos que eu enxerguei que o meu estava sendo construído no modelo de outras pessoas e me sufocando até os ossos. 

Eu precisei viver todo esse processo para visualizar e compreender essa roda da abundância e como ela poderia funcionar. Eu precisei compreender e sentir muito perto a vontade de abrir mão do meu sonho, do meu projeto para assumir o que ele realmente era: EMPREENDEDORISMO SOCIAL. 

Você sabe o que significa empreendedorismo social?

Mudar o mundo sendo um instrumento de transformação de mulheres é o meu propósito e me dedico a isso nos mais variados campos da minha vida. Quando, junto com duas amigas, materializamos o sonho de nos dedicarmos ao objetivo de trazer nossas expertises profissionais (no meu caso coaching) para empoderar jovens mulheres e meninas para que ampliem sua competitividade e acesso a oportunidades no mercado de trabalho, eu me senti completa neste sentido. Nosso lema "onde os braços alcançam" expressa verdadeiramente meu sentimento em relação ao mundo que eu almejo e desejo e para o qual espero contribuir. 

Em 2018 a vida acabou nos sobrecarregando, uma das parceiras da Maria Muda o Mundo se mudou para São Paulo e nossos braços foram ficando curtos demais. O desânimo e desamparo pelo que está por vir no nosso país me abateram e por um momento (breve mas que pareceu durar mil anos dentro de mim) eu me vi sem perspectiva. 

Levantei, sacudi a poeira e recomecei. 

O Plano de Menina vem suprir minha necessidade de projetos sociais (explico mais outra hora!) e Kalindi vem suprir meu desejo de impactar socialmente e ser sustentável! O mestrado me trará desenvolvimento intelectual e a escrita (dois livros no forninho!) descarrego. 

O empreendedorismo social, assim como qualquer outro negócio convencional, tem entre as suas premissas gerar lucro, mas não como principal foco. A missão primordial é beneficiar e impactar diretamente pessoas com objetivo de resolver questões sociais, no caso a desigualdade de gênero. 

Meu objetivo com Kalindi é ser sustentável enquanto desenvolvo um trabalho de impacto social e individual que permita mais e mais mulheres de se apropriarem de seus talentos, reconstruírem sua autoestima e, porque não, mudarem o mundo! 

Kalindi será uma plataforma de financiamento coletivo de desenvolvimento pessoal e ferramentas de autoconhecimento para mulheres. 

Kalindi é também meu nome e eu vou explicar porque esse projeto se chamará assim! 

Minha história com meu nome (Tayná Kalindi) reflete muito meu caminho interno e de autodesenvolvimento. 

Eu nunca gostei desse nome e hoje vejo que o que eu rejeitava nele era justamente o que eu transformei na minha maior sombra: o ser alternativo, diferente, criativo. 

Tudo que eu queria quando eu era uma menina era ser uma Juliana, Mariana ou Carol (nomes comuns da minha época). Na verdade, o que eu queria era ser comum, ter uma família “normal” e uma vida estável e previsível. Rejeitei tudo que representasse o diferente. Neguei minha criatividade, minhas inquietações com o capitalismo e joguei toda a minha energia em trabalhar e ser a família margarina que tanto sonhei. 

No meio do caminho, muitos obstáculos, alguns tombos e a reapropriação de mim mesma. Compreendi que ser “normal” não é sinônimo de felicidade e que ser “alternativo” não é sinônimo de desestrutura. Me dei conta de que aquela história era a MINHA história, assim como meu nome. Ele é só meu e ele é único. Assim como eu, assim como cada Juliana, cada Mariana também são únicas. 

Meu nome foi um presente que minha mãe me deu com todo carinho. Dentro de todo o cenário difícil que foi a gravidez, o abandono, o julgamento, ela me desejou e me cuidou. Ela se preocupou com meu nome e com o significado dele e me deu o mais belo que ela encontrou. 

“Flor da primeira luz da manhã”: é o que significa Tayná (Tupi) Kalindi (hindu) combinados. Ou ao menos é o que eu sempre ouvi (que é o que importa!) 

Descobri que a deusa Kali, que me dá o nome, é a deusa da morte e da destruição e também do renascimento e não há nada que me represente melhor, e a este projeto, do que a destruição e o renascimento! 

Eu morri e renasci tantas vezes que já perdi as contas. Minha vontade de viver e de sair da lama da amargura literalmente me salvaram a vida. E me fizeram chegar onde cheguei. 

E onde é isso? 

Exatamente aqui, agora falando pra vocês sobre Kalindi. 

Sobre mim, sobre esse projeto que é também e principalmente renascimento. 

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